Em um cenário político desafiador, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) revelou, nesta quarta-feira (5), que o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) será seu candidato a vice-presidente nas eleições de 2026. A escolha trouxe certa surpresa, uma vez que Gaspar não estava entre os nomes mais cogitados para a chapa. Inicialmente, havia a expectativa de que a composição da candidatura incluísse uma mulher, visando diminuir a rejeição feminina ao senador.

A decisão de escolher Gaspar como vice ocorreu após tentativas frustradas de Flávio em atrair o apoio de grandes partidos, como PP e Republicanos, que optaram por manter uma postura neutra na disputa presidencial, priorizando suas estratégias nas eleições estaduais e na eleição para o Congresso Nacional. O nome que Flávio preferia para a vice era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), uma figura respeitada no agronegócio. Outro nome cogitado era a economista Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro, que também compareceu ao evento de anúncio.

Alfredo Gaspar é um político com um histórico significativo, tendo sido o relator da CPMI do INSS, onde investigou desvios nos benefícios de aposentados e pensionistas, resultando em um relatório que pedia mais de 200 indiciamentos, incluindo a prisão preventiva de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Embora o relatório tenha sido rejeitado pela CPMI, a atuação de Gaspar na segurança pública e sua história como procurador-geral de Justiça e secretário de Segurança Pública de Alagoas são aspectos que Flávio destacou ao anunciar sua escolha.

"É uma pessoa que eu aprendi a admirar, todos vocês aqui aprenderam a admirar pela coragem, pela honestidade, pela sua história à frente da segurança pública", disse Flávio. Por sua vez, Gaspar se comprometeu a ser leal a Flávio, declarando: "Eu sou o seu soldado. Alguém simples, mas que está pronto pra luta." Ele também enfatizou a importância de combater a corrupção e o crime organizado, referindo-se aos desafios econômicos enfrentados pelo país.

Flávio Bolsonaro chega à corrida eleitoral de 2026 em uma posição mais isolada do que seu pai em 2022. Jair Bolsonaro contou com o apoio do PP e do Republicanos em sua tentativa de reeleição. Enquanto isso, a pesquisa eleitoral atual aponta Flávio como um dos candidatos mais competitivos contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição ao lado de Geraldo Alckmin (PSB) e conta com uma coligação robusta de sete partidos.

Segundo o cientista político da Consultoria Tendências, Rafael Cortez, a escolha de Gaspar reflete uma tentativa de Flávio de se distanciar do bolsonarismo mais radical, optando por um nome que traz uma imagem de política tradicional. Gaspar, que iniciou sua trajetória política no MDB e passou pelo União Brasil, representa uma tentativa de Flávio de dialogar com o eleitorado de forma mais ampla, especialmente no Nordeste, onde as intenções de voto são inferiores em comparação a outras regiões.

As dificuldades de Flávio em conseguir o apoio de partidos significativos da direita e a ausência de uma mulher competitiva para a vice refletem um dilema maior na sua candidatura, conforme ressaltam especialistas. A cientista política Carolina Botelho, da UERJ, corrobora essa análise, apontando que a falta de alianças fortes pode ter levado à escolha de Gaspar como uma estratégia para fortalecer sua imagem política e ampliar seu alcance eleitoral.