O governo federal apresentou nesta quinta-feira, 20, um ousado investimento de R$ 2,5 bilhões para fortalecer a infraestrutura de inteligência artificial (IA) no Brasil. A estratégia combina esforços com os Estados Unidos, a China e o desenvolvimento local, buscando evitar a dependência de um único fornecedor internacional e garantir avanços rumo à soberania digital.

Três frentes de desenvolvimento tecnológico

O plano prevê três iniciativas paralelas para criar uma base robusta em IA. A primeira delas consiste na aquisição de um supercomputador com fornecimento predominantemente americano, cuja instalação será em Macaíba, região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte. Estima-se que o equipamento, avaliado em R$ 1,06 bilhão, tenha Nvidia como principal fornecedora e capacidade de 7.200 petaflops.

A segunda frente propõe cooperação tecnológica entre a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e a Huawei, multinacional chinesa, com foco em estabelecer uma estrutura dedicada no Rio de Janeiro. Já a terceira aposta na pesquisa nacional: o desenvolvimento de chips de arquitetura aberta ocorre em Campinas, São Paulo, apostando na capacitação do setor tecnológico brasileiro.

Diversificação geopolítica e respaldo internacional

A escolha por múltiplos parceiros não é aleatória. Diante de recentes restrições globais de acesso a modelos de IA por nacionalidade, o Brasil busca distribuir riscos e garantir autonomia. Dentro desse contexto, o país tornou-se membro fundador da Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (Waico), ressaltarando sua postura proativa em negociações internacionais sobre tecnologia.

Segundo a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos, além dos equipamentos, as contrapartidas previstas exigirão transferência de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento em solo nacional e atuação de fornecedores brasileiros. O edital obriga o treinamento de 5 mil profissionais brasileiros em cinco anos.

Capacidade e impacto do supercomputador de Macaíba

O supercomputador a ser instalado em Macaíba tem capacidade estimada de 7.200 petaflops em FP16, padrão voltado para treinamento de modelos de IA. Ele contará com mais de 50 mil núcleos de processamento e consumirá até 4 megawatts de energia, suficiente para abastecer uma pequena cidade.

A compra do equipamento depende ainda de licitação pública, com previsão de entrada em operação até o final de 2027. Entre possíveis integradoras da montagem final estão também Lenovo, HP, Dell, Bull e empresas taiwanesas.

O supercomputador será utilizado por empresas e startups brasileiras, centros de pesquisa, órgãos públicos e profissionais em formação, apoiando áreas como pesquisa científica, saúde, agricultura, previsão do clima e descoberta de medicamentos.

Soberania digital vai além do hardware

O governo federal destaca que este investimento faz parte do Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê ao todo R$ 23 bilhões até 2028. O plano engaja não só o fornecimento de hardware de ponta, mas também capacitação técnica, desenvolvimento de bases de dados brasileiras e aplicações práticas para a sociedade.

Segundo especialistas do setor, não basta investir apenas em infraestrutura física: é fundamental desenvolver profissionais capacitados, alimentar sistemas com dados nacionais de qualidade e garantir que a tecnologia esteja alinhada às necessidades do país.

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