O Brasil está próximo de um novo patamar nas suas relações com a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Em visita oficial ao país nesta semana, o secretário-geral da entidade, Dr. Kao Kim Hourn, afirmou enxergar espaço para que o Brasil seja incluído no seleto grupo de “parceiros de diálogo” do bloco, o que pode ampliar significativamente a cooperação e a possibilidade de acordos comerciais.

Brasil busca intensificar relações comerciais e estratégicas

Durante evento conjunto realizado no Itamaraty na última terça-feira (18), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o Brasil pretende não apenas ingressar no rol de parceiros de diálogo da Asean, mas também aprofundar suas relações com a região. Atualmente, dez países e a União Europeia já possuem esse status, que garante a participação em discussões de cooperação e a possibilidade de firmar acordos comerciais relevantes.

A ampliação dos laços ocorre em um momento estratégico para a política externa brasileira. Após medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos, especialmente durante o governo Donald Trump, o país busca alternativas para diversificar seus parceiros comerciais em outros continentes. Na avaliação de Vieira, o ritmo de crescimento das trocas comerciais sugere que a Asean deve ultrapassar Estados Unidos e União Europeia entre os maiores parceiros do Brasil nos próximos anos.

Negociações próximas de uma conclusão

O secretário-geral Kao Kim Hourn declarou, durante agenda no Itamaraty, que a apreciação do pedido brasileiro está bem encaminhada e pode ser concluída "em breve". Ele reforçou o compromisso da Asean em fortalecer a cooperação com o Brasil, classificando o país como um "parceiro sólido".

As cifras evidenciam esse avanço: somente em 2025, o comércio bilateral entre o Brasil e os onze membros da Asean chegou a US$ 38,4 bilhões. Além da vertente comercial, há forte potencial de colaboração em áreas como energias renováveis, sustentabilidade, segurança alimentar, saúde pública, educação, turismo e esportes.

Reuniões bilaterais e convite ao presidente Lula

Durante a visita oficial, Kao Kim Hourn se reuniu com diversas autoridades brasileiras, incluindo o ministro das Relações Exteriores e a ministra da Gestão, Esther Dweck. Também estão previstos encontros nos ministérios de Minas e Energia, Desenvolvimento e Indústria, demonstrando o interesse mútuo em expandir a pauta de cooperação.

O secretário-geral da Asean aproveitou a oportunidade para reiterar o convite ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma visita institucional ao bloco. O presidente Lula já participou da cúpula da Asean em outubro do ano passado, realizada em Kuala Lumpur, na Malásia, marcando um passo importante na aproximação entre as regiões.

Próximos passos e expectativas

Com a possível inclusão do Brasil como parceiro de diálogo da Asean, as perspectivas para ampliação do comércio exterior e de parcerias estratégicas ganham um novo fôlego. A expectativa é que esse movimento contribua para a diversificação dos mercados brasileiros, o fortalecimento do diálogo sul-sul e o acesso a novas oportunidades em setores essenciais.

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