A Databricks intensifica sua atuação no Brasil ao priorizar a criação de valor real com inteligência artificial (IA) em vez de simplesmente aumentar o consumo de recursos como tokens. Ricardo Buffon, country manager da Databricks no país, destaca que a orientação da empresa está focada em "maximizar valor" — ou seja, garantir retorno tangível dos investimentos em IA.
Estratégia orientada à governança e produtividade
Para Buffon, não é o volume de tokens — unidade de medida que define o custo operacional dos modelos de IA — que determina sucesso, mas o quanto as empresas conseguem extrair de valor dessas ferramentas. Ele classifica a lógica do "tokenmaxxing" (maximizar uso, não resultados) como um erro comum na adoção corporativa de IA. "As soluções da Databricks priorizam governança. Nosso foco principal é que os clientes tenham clareza sobre o retorno gerado", afirma o executivo.
Entre as novidades apresentada ao mercado brasileiro está o Unity AI Gateway, ferramenta que permite controlar, por usuário ou grupo, o tipo de modelo de IA acessado e, principalmente, medir a produtividade obtida em cada camada de uso. A proposta é oferecer segurança, eficiência e direcionar o uso da IA para objetivos estratégicos bem definidos, sem desperdício de recursos.
Crescimento acelerado no mercado brasileiro
O crescimento da Databricks no Brasil é significativo: a equipe quase dobrou em um ano, atingindo 250 profissionais em um escritório próprio recém-inaugurado em São Paulo. Segundo Buffon, o espaço tornou-se ponto de referência para encontros com clientes e realização de treinamentos, reforçando a proximidade e o suporte técnico.
A receita da empresa no país subiu cerca de 150% nos últimos dois anos, impulsionada rapidamente pela adoção de produtos de IA. O executivo cita o agente conversacional Genie como caso de sucesso, ferramenta que permite consultas em linguagem natural aos dados corporativos. "A América Latina é a região onde o Genie cresce mais rápido no mundo, um sinal do quão avançados estamos no uso da tecnologia", diz Buffon. Um exemplo é a Cielo, que migrou mais de seis mil pipelines de dados para a Databricks e, com o Genie, ofereceu acesso simplificado a mais de mil profissionais — obtendo, ainda, uma redução de 40% nos custos de ingestão de dados.
Investimentos e planos futuros
Apesar do forte desempenho, Buffon descarta comentar uma possível abertura de capital. Recentemente, a matriz internacional da empresa garantiu uma rodada de captação de US$ 5 bilhões, elevando seu valor de mercado para US$ 190 bilhões. Parte desse montante será destinada a contratos estratégicos em nuvem, pesquisa em IA — a empresa mantém um time global de 100 pesquisadores — e a uma série de aquisições recentes.
No curto prazo, a operação brasileira segue firme focada em ampliar a base de clientes e consolidar o uso eficiente da IA corporativa. A Databricks reafirma seu compromisso de seguir ampliando sua oferta de soluções inovadoras e de alto retorno, consolidando o Brasil como uma das regiões de maior crescimento da companhia.
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