Os candidatos ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), protagonizaram um intenso debate na noite deste domingo (9), transmitido pela Band, que trouxe questões nacionais à tona. Essa foi a primeira oportunidade em que ambos se enfrentaram diretamente, e as críticas não pouparam os ex-presidentes Lula e Bolsonaro.

Haddad, tentando desestabilizar Tarcísio, o associou ao governo de Jair Bolsonaro, questionando as decisões do atual governador em relação à segurança pública e sua escolha de secretários. Por outro lado, Tarcísio defendeu o legado de Bolsonaro e criticou a política econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Apesar das frequentes referências a ambos os presidentes, o nome de Flávio Bolsonaro não foi mencionado, embora tenha sido o principal adversário de Lula na disputa pela presidência.

Críticas à Gestão e à Economia

Durante o debate, Haddad criticou a gestão fiscal de Bolsonaro, ressaltando que as mudanças no ICMS sobre combustíveis resultaram em perdas significativas de arrecadação para os Estados. Segundo ele, São Paulo busca uma compensação bilionária. Tarcísio, por sua vez, alegou que a questão já está sendo resolvida na Justiça e que o Estado conseguiu garantir a restituição dos valores.

A interação entre os candidatos também abordou temas delicados. Tarcísio questionou Haddad sobre o endividamento de famílias e empresas, além dos altos juros e dificuldades de acesso ao crédito, citando a baixa taxa de investimento no Brasil. Haddad defendeu que o governo Lula entregará a menor taxa de desemprego da história e um crescimento econômico superior ao registrado nos mandatos anteriores de Michel Temer e Bolsonaro.

Disputa de Números e Projetos

Os candidatos ainda compararam o desempenho econômico de São Paulo com o do Brasil. Tarcísio mencionou que o Estado teve um crescimento de apenas 0,4% no primeiro trimestre de 2026, enquanto o Brasil cresceu 2,3%. Haddad rebateu a crítica, argumentando que São Paulo depende da economia nacional e citou os recursos federais que foram enviados ao Estado.

Outro ponto abordado foi a construção do túnel Santos-Guarujá, que gerou discussão sobre a parceria entre os governos estadual e federal. Haddad destacou a contribuição da União para o financiamento da obra, enquanto Tarcísio se comprometeu a garantir que São Paulo arcará com a maior parte dos custos.

Políticas Comerciais e Repercussões

As tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros também foram tema do debate. Haddad defendeu a necessidade de união para enfrentar as políticas comerciais dos EUA e criticou setores do Brasil que apoiaram o ex-presidente Donald Trump. Tarcísio reconheceu que essas tarifas têm prejudicado a indústria paulista e o agronegócio, mas garantiu que o governo estadual está tomando medidas para mitigar os impactos.

No final do evento, a tensão entre Haddad e Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo e aliado de Tarcísio, se tornou evidente. Nunes confrontou Haddad sobre suas afirmações relacionadas a um contrato de Wi-Fi da Prefeitura, que é investigado pela Polícia Civil. Essa interação ressaltou a polarização e a disputa acirrada que caracterizam a corrida eleitoral.

A transmissão do debate também foi feita por outros veículos, como TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan, e marca o início da temporada de debates eleitorais em São Paulo. O evento foi limitado aos dois principais candidatos, conforme as pesquisas de opinião, e promete intensificar a disputa política até as eleições de outubro.