A transmissão ao vivo do Discord relacionada ao caso da adolescente de 13 anos, de Naviraí (Mato Grosso do Sul), foi retirada do ar antes do suicídio, segundo nota oficial da plataforma. O posicionamento foi divulgado após a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil por tempo indeterminado, até que sejam comprovadas medidas efetivas para a segurança de crianças e adolescentes.
Discord remove servidor antes da tragédia
De acordo com o Discord, a investigação indicou que um servidor privado, supostamente utilizado por indivíduos envolvidos em atividades criminosas, foi removido antes do suicídio da adolescente. A empresa ressaltou que a coordenação dessas ações ocorria em outras plataformas digitais, e que parte das atividades criminosas continuou mesmo após o banimento dos envolvidos do Discord.
Pesquisadores em segurança digital, que monitoram grupos extremos na internet, relataram que a jovem chegou a ser incentivada a praticar automutilação e atos de violência contra um animal durante transmissões na plataforma. Imagens obtidas pelo jornal indicam que, após o bloqueio no Discord, o grupo migrou a atividade para outras redes sociais, como o Instagram. A Meta, responsável pelo Instagram, não comentou oficialmente o caso.
ANPD impõe proibição e cobra novas medidas
A ANPD estabeleceu que o Discord deve suspender todas as funções de transmissão ao vivo no prazo de três dias úteis, valendo para todo o território brasileiro. A agência exige o desenvolvimento de recursos e políticas para aumentar a proteção de menores no ambiente digital, reforçando a aplicação do Estatuto da Criança e Adolescente Digital (ECA Digital).
A decisão surge não apenas em resposta ao caso em Mato Grosso do Sul, mas também após diversas denúncias de práticas ilícitas em ambientes da plataforma. Outras redes sociais também serão alvo de apurações, segundo a agência.
Especialistas apontam riscos de migração entre plataformas
Apesar das ações da ANPD, especialistas em segurança online ressaltam que a suspensão de uma plataforma pode impulsionar a migração de criminosos para outros espaços menos visados. Michele Prado, pesquisadora em extremismo digital, alerta para o ambiente de risco permanente para jovens navegando na internet. Ela destaca que múltiplas plataformas são exploradas para recrutamento e manipulação de vítimas vulneráveis.
O especialista em direito digital Carlos Affonso Souza questiona a eficácia da medida e defende aprimoramento da moderação automatizada, com inteligência artificial e monitoramento contínuo por órgãos reguladores. Segundo ele, o ideal é atuar diretamente sobre conteúdo e comportamentos de risco, evitando tanto a proibição absoluta quanto a perda de controle sobre ambientes digitais.
Já o pediatra Daniel Becker avalia positivamente a aplicação rigorosa do ECA Digital, reforçando que ambientes online favoráveis a crimes devem ser restritos e monitorados para dificultar as ações criminosas.
Discord reforça compromisso com segurança dos usuários
Em nota, o Discord afirmou investir em equipes especializadas para identificar comportamentos de alto risco e possíveis ameaças, além de lamentar a decisão da ANPD, que considerou precipitada. A plataforma defende que já está aprimorando suas políticas de segurança para se adequar às exigências brasileiras.
O debate sobre a responsabilidade das plataformas digitais e a eficácia de medidas regulatórias no combate a crimes virtuais deve ganhar novos desdobramentos nas próximas semanas. Fique por dentro das atualizações e notícias sobre segurança digital em brasilnow.world.



