Os Estados Unidos publicaram nesta quinta-feira (13) um relatório apontando o Brasil e mais de 40 países como facilitadores de estratégias chinesas para evitar tarifas de importação americanas. O documento, intitulado "O Grande Esquema do Transbordo", detalha como bens chineses estariam sendo redirecionados mediante operações de triangulação comercial, burlando sanções impostas às importações diretamente oriundas da China.

Detalhes do relatório e classificação do Brasil

O relatório divide os países em níveis, de acordo com o grau de integração e participação no alegado "transbordo ilegal" de mercadorias. O Brasil aparece no “Nível 2”, considerado como tendo “Integração Econômica Significativa” com Pequim. Nesse grupo, estão também Turquia, Vietnã, Indonésia, Tailândia e Malásia. Segundo o documento americano, esses países desempenham papel estratégico ao combinar produção, logística e plataformas industriais que contribuem para modificar a origem declarada dos produtos.

Ainda de acordo com os EUA, o Brasil é parte dos chamados “Corredores Latino-Americanos” que facilitam o trânsito e armazenamento de mercadorias chinesas tanto pelo Oceano Atlântico quanto pelo Pacífico. O texto alega que entrepostos aduaneiros e montagens regionais seriam usados para simular a transformação do produto e alterar sua origem nos registros alfandegários.

Impactos econômicos segundo os EUA

O documento aponta que a manobra evita o pagamento de tarifas de até 50% impostas às importações da China. Países como México e Canadá, citados como “Nível 1” e chamados de "Líderes de Escala Diversificados", também são mencionados por sua participação no comércio internacional com grandes volumes de redistribuição de produtos chineses.

Estima-se, segundo bancos referenciados no relatório, que as perdas associadas a esse tipo de operação chegam a cifras entre US$ 40 bilhões e US$ 300 bilhões anuais para o mercado americano. O governo dos EUA ressalta ainda o impacto negativo sobre empregos locais, receitas federais e o Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Declarações oficiais e contexto internacional

No relatório, Peter Navarro, assessor econômico do governo Trump e responsável pela elaboração do documento, compartilhou em sua conta no X (antigo Twitter) a declaração atribuída ao secretário do Tesouro, Scott Bessent: "Não é só uma violação técnica do comércio, é um esforço deliberado para evitar tarifas. O presidente Donald Trump garantirá que esses bens paguem o que devem".

A publicação também ressalta que, além da questão tarifária, os Estados Unidos vêm aplicando sanções comerciais a Brasil, Canadá, União Europeia e outros parceiros por motivos variados, como alegações de trabalho escravo. Tais medidas têm como objetivo restaurar tarifas suprimidas pela Suprema Corte americana no início do ano.

Próximos passos e repercussão

Até o momento, o governo brasileiro não se pronunciou oficialmente sobre as acusações. Analistas avaliam que o episódio pode intensificar discussões sobre práticas comerciais internacionais e exigir respostas formais do Brasil, sobretudo diante da relevância do país como parceiro tanto da China quanto dos Estados Unidos.

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