O ex-governador de São Paulo, João Doria, afirmou recentemente que não pretende retornar à política, descartando qualquer possibilidade de disputar cargos eletivos novamente. Com 68 anos e uma trajetória marcante no setor público e privado, Doria declarou estar satisfeito com sua contribuição e destacou lições importantes absorvidas durante sua vida pública, principalmente a importância de ouvir mais.
Fim do ciclo político e aprendizados
Durante entrevista, João Doria foi enfático ao afirmar: "Não tenho mágoa, não tenho ressentimento, mas não quero mais retornar à vida pública e nem disputar nenhum mandato". O ex-tucano deixou o PSDB em 2022, após não conseguir viabilizar sua candidatura à Presidência. Segundo ele, a experiência como gestor público exigiu adaptações, principalmente vindo do setor privado, onde as decisões são mais rápidas. "A grande lição foi: ouça mais. Tenha mais paciência para ouvir, sem perder o ímpeto de agir", afirmou o ex-governador.
Trajetória e embates políticos
Doria entrou para a história política brasileira após vencer a eleição para prefeito de São Paulo em 2016 e, posteriormente, para governador do Estado em 2018. O início de seu mandato no Palácio dos Bandeirantes foi marcado por uma aproximação com Jair Bolsonaro, impulsionando o movimento conhecido como "BolsoDoria". No entanto, essa relação se desgastou durante a pandemia da covid-19, quando Doria e Bolsonaro divergiram profundamente sobre medidas de combate ao vírus e estratégias de vacinação. O embate se intensificou com críticas públicas de ambos os lados.
Um episódio marcante foi quando Doria se referiu ao contexto do país durante a pandemia, dizendo que o Brasil enfrentava "dois vírus: o coronavírus e o Bolsonarovírus".
Lições dos mandatos e respeito ao debate democrático
Doria destacou em sua avaliação pessoal a necessidade de autocrítica e humildade ao reconhecer erros e qualidades. Ele também ressaltou a importância da participação nos debates eleitorais, usando sua campanha vitoriosa à Prefeitura como exemplo. Para Doria, é um dever dos candidatos participarem dos debates públicos, rechaçando quaisquer estratégias de evitar o enfrentamento democrático.
"Entendo que os candidatos deveriam participar dos debates e não temer o debate... considero desrespeitoso não estar presente em um debate democrático, desde que as regras sejam claras e previamente discutidas", declarou.
Polarização e eleições de 2026
No encontro empresarial Fórum Lide, Doria também avaliou o cenário atual de polarização para as eleições presidenciais de 2026. O ex-governador defendeu enfaticamente o surgimento de alternativas que não representem nem a extrema-direita, nem a extrema-esquerda, destacando a necessidade de propostas concretas ao invés de ataques pessoais. Disse esperar que uma eventual disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro seja marcada por um debate propositivo.
Características de gestor e legado
Conhecido por seu rigor e pontualidade nas agendas públicas, Doria sempre cobrou disciplina de seus colaboradores. Implementou até mesmo sanções para atrasos cometidos por secretários durante sua gestão na Prefeitura, adotando uma postura que visava dar exemplo e demonstrar respeito com participantes de eventos e reuniões.
Atualmente, segue envolvido com o setor empresarial através do grupo Lide, mantendo influência principalmente nos bastidores e promovendo debates entre lideranças e autoridades de diferentes áreas, sem atuação direta na política partidária.
Próximos passos e influência
Apesar de afastado das urnas, João Doria continua sendo uma voz ouvida por empresários, ex-colegas da política e integrantes do Judiciário em eventos promovidos por ele. O ex-governador mostra-se disposto a contribuir com o debate nacional, mas reafirma sua decisão de não concorrer a cargos públicos. Defende que o Brasil precisa caminhar para um ambiente de mais diálogo e menos polarização.
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