O Brasil avança na integração financeira com a China ao anunciar a primeira emissão de panda bonds e estudar a conexão do sistema nacional de pagamentos instantâneos Pix com aplicativos chineses. O movimento acontece em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos e reflete a estratégia nacional de diversificar parceiros econômicos no cenário internacional.

Parceria econômica se fortalece

Nos últimos meses, a relação econômica entre Brasil e China ficou ainda mais próxima. Enquanto o governo brasileiro enfrenta tarifas dos Estados Unidos e ajustes na relação bilateral, Pequim surge como alternativa crescente para investimentos e acordos. Os dois países já são sócios antigos no grupo Brics e compartilham o objetivo de reduzir a dependência do dólar nas transações globais.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestou, em múltiplas ocasiões, o interesse de expandir transações em outras moedas, inclusive discutindo a criação de uma moeda comum aos BRICS no mês passado. Mostrando sintonia, Pequim acelera há anos o uso do yuan em negociações internacionais, principalmente com a Rússia e países da Ásia.

Emissão inédita de panda bonds brasileiros

Como parte desse movimento, a equipe econômica brasileira confirmou que o país fará a primeira emissão de panda bonds – títulos brasileiros de dívida denominados em yuan – ainda em 2024. A ideia é captar cerca de 5 bilhões de yuans, equivalentes a quase R$ 3,8 bilhões, no mercado chinês.

Esses títulos não são exclusividade verde-amarela: só no primeiro semestre deste ano, o mercado internacional movimentou mais de 160 bilhões de yuans em panda bonds, indicando forte interesse global nos investimentos puxados pelo gigante asiático.

Pix pode integrar pagamentos chineses

Outro passo relevante seria a integração do Pix, plataforma de pagamentos instantâneos do Banco Central do Brasil, ao ecossistema chinês. Segundo reportagem do South China Morning Post, a UnionPay – principal bandeira de cartões chinesa e concorrente direta da Visa e Mastercard – negocia conectar seus aplicativos ao Pix.

O objetivo inicial é facilitar pagamentos de turistas chineses no Brasil via QR Code, permitindo que usuários de WeChat, Alipay ou UnionPay façam compras em estabelecimentos brasileiros apenas escaneando o código Pix com seus aplicativos nacionais. O projeto piloto permitiria pagamentos diretos entre contas de bancos chineses e empresas brasileiras, e uma possível ampliação futura alcançaria ainda mais carteiras digitais globais administradas pela UnionPay.

Implicações estratégicas e próximos passos

Enquanto os Estados Unidos entram em rota de colisão com o Pix devido à independência do sistema frente às gigantes internacionais de crédito, a China busca um caminho de cooperação tecnológica que pode render benefícios mútuos. Fontes oficiais sugerem que o governo Lula aposta nessa parceria para reforçar o Pix como ferramenta soberana e potencializar a internacionalização das finanças nacionais.

A expectativa é que, com o fortalecimento dos laços financeiras, Brasil e China se consolidem como exemplos de inovação e aproximação do Sul Global, tornando-se menos vulneráveis às oscilações de Washington e outras potências ocidentais.

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