Uma missão técnica enviada pelo governo da Coreia do Sul iniciou nesta terça-feira (11) uma avaliação dos frigoríficos brasileiros. O objetivo do grupo é conhecer de perto o sistema nacional de inspeção sanitária da carne bovina in natura produzida no Brasil, passo essencial para a possível abertura do mercado sul-coreano ao produto brasileiro.
Avaliação técnica detalhada
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a missão sul-coreana permanecerá no país até 20 de agosto. Durante esse período, os especialistas visitarão unidades de processamento, fiscalizando práticas de controle sanitário e coletando informações técnicas para uma análise de risco. O foco agora é a saúde animal, etapa que se soma à auditoria feita em 2023, quando a Coreia do Sul examinou questões relativas à saúde pública.
A avaliação ocorre após uma reunião, no fim de julho, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente sul-coreano Lee Jae-myung. Além de fortalecer laços bilaterais, o encontro resultou na criação de um grupo de trabalho para ampliar negociações comerciais entre os dois países, principalmente na busca por destravar o acordo Mercosul-Coreia do Sul.
Estrutura sanitária avança
Até conquistar o status de livre de febre aftosa sem vacinação — exigência para exportar à Coreia do Sul — o Brasil passou por avanços no controle animal. O reconhecimento internacional deste status, obtido em 2025, foi um marco que elevou a confiança dos mercados estrangeiros na produção nacional.
O Brasil já exporta uma grande variedade de produtos agrícolas para o país asiático. Em 2025, as vendas totais do agronegócio brasileiro à Coreia do Sul alcançaram quase US$ 2,5 bilhões. O comércio bilateral, considerando todos os setores, somou cerca de US$ 11 bilhões nesse período. No entanto, o mercado de carne bovina ainda é, hoje, majoritariamente abastecido pelos Estados Unidos, país responsável por 70% das importações sul-coreanas.
Próximos passos para exportação
A visita técnica faz parte do processo preliminar de habilitação. Após a missão, será negociado o Certificado Sanitário Internacional (CSI) entre Brasil e Coreia do Sul — documento em que estarão definidos os requisitos sanitários específicos para a exportação. Só após a aprovação do CSI e da avaliação final é que estabelecimentos interessados poderão ser habilitados a exportar.
O Ministério da Agricultura reforça que a vistoria não implica habilitação imediata dos frigoríficos, sendo apenas um passo dentro do rigoroso processo de aprovação internacional. Não há prazo definido para a conclusão da análise dos sul-coreanos, nem previsão de início das exportações de carne bovina nacional à Coreia do Sul.
Impactos para o Brasil
A ampliação de mercados para a carne bovina é parte da política do governo Lula de diversificar destinos das exportações brasileiras. A medida visa reduzir dependência de mercados tradicionais e responder ao aumento de tarifas de importação dos Estados Unidos, impactando toda a cadeia produtiva nacional.
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