A corrida global pela liderança em inteligência artificial (IA) está cada vez mais ligada à capacidade de geração de energia dos países, segundo análise do especialista Pedro Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Para ele, o avanço nesse setor não será definido apenas pela sofisticação dos algoritmos ou quantidade de dados, mas principalmente pela robustez das infraestruturas elétricas nacionais.
China lidera com grande oferta energética
De acordo com Rodrigues, a China disparou na frente dos concorrentes, principalmente pelo tamanho de sua geração elétrica. Em 2025, o país asiático alcançou aproximadamente 10.600 terawatts-hora (TWh) de energia produzida, muito à frente dos Estados Unidos (4.400 TWh) e do Brasil (783 TWh). Isso significa que a China gera mais do que o dobro da energia dos EUA — e mais de treze vezes a produção brasileira.
Apesar de ser líder mundial na fabricação de painéis solares e turbinas eólicas, a matriz energética chinesa permanece fortemente baseada no carvão mineral, que representa 54% da eletricidade gerada no país. Já as renováveis respondem por apenas 22%. O especialista do CBIE ressalta que, só com carvão, a China produz mais energia elétrica do que a soma de todas as fontes dos EUA.
O papel da energia na disputa tecnológica
O desenvolvimento e operação de data centers de última geração, essenciais para IA, exige um fornecimento elétrico constante, estável e de alta escala. Neste cenário, Rui aponta que o fator-chave para a liderança global será a capacidade dos países em prover energia suficiente, especialmente considerando o crescente consumo previsto para IA nos próximos anos.
Brasil: abundância de renováveis, desafio regulatório
O país possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável, com cerca de 87% da energia proveniente de fontes limpas, como hidrelétricas, solares e eólicas. No entanto, Pedro Rodrigues destaca que persistem obstáculos significativos para a atração de grandes investimentos tecnológicos, entre eles a regulação considerada excessiva e restrições ao desenvolvimento de fontes como gás natural e energia nuclear.
O especialista também aponta que parte das prioridades energéticas brasileiras é pautada por ideologias, dificultando o avanço pragmático em busca de uma infraestrutura mais competitiva internacionalmente. Embora o Brasil disponha de recursos e potencial energético muito acima da média global, estas barreiras impedem que o país se torne líder em grandes projetos de inteligência artificial.
Perspectivas e próximos passos
O debate sobre energia e tecnologia ganha ainda mais relevância à medida que a IA avança em aplicações estratégicas para o desenvolvimento econômico global. O relatório do CBIE sugere que, para competir de igual com gigantes como China e Estados Unidos, o Brasil precisa rever seu marco regulatório e incentivar políticas energéticas mais flexíveis e competitivas, sem abrir mão da sustentabilidade.
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