O crescimento do número de data centers no Brasil tem potencial para impactar positivamente a balança comercial do país e fortalecer sua autonomia digital. Atualmente, de acordo com levantamento do DataCenter Map, o Brasil conta com 218 centros de dados, ocupando posição de destaque à frente de países como Rússia e México, mas ainda representa apenas 1,78% do total global.
Custos elevados e entraves tributários
Segundo a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom), construir um data center de grande porte no Brasil exige um investimento 34% maior do que nos Estados Unidos. O motivo principal é a elevada carga tributária sobre equipamentos de computação, que atinge uma média de 35% no país, enquanto em outros mercados parceiros internacionais esse percentual fica entre 5% e 10%.
Ricardo Ferreira da Costa, gerente sênior de tributos indiretos na EY Brasil, explica que, nos Estados Unidos, a tributação recai mais sobre a renda, enquanto no Brasil o foco é o consumo. Isso encarece não apenas a importação de equipamentos de TI, mas também os custos de operação dos centros, dada a alta tributação sobre a energia elétrica, que varia de 17% a 24%, dependendo do estado.
A Brasscom destaca que, embora políticas como a eventual redução do ICMS sobre energia possam melhorar o cenário, o impacto mais relevante viria da diminuição da carga tributária incidente sobre os equipamentos. Sem isso, o Brasil segue menos competitivo para novos investimentos no segmento.
Impacto na economia e soberania digital
Empresas que optam por utilizar serviços de computação em nuvem alojados em data centers brasileiros desembolsam entre 15% e 20% mais, se comparado ao mesmo serviço sediado no exterior. Ainda assim, a instalação local traz vantagens como menor latência e atendimento mais ágil aos usuários brasileiros.
Além disso, cresce o debate sobre soberania digital e a necessidade de manter dados estratégicos de cidadãos e empresas dentro das fronteiras nacionais. A discussão ganha força diante da dependência crescente de infraestrutura estrangeira para o armazenamento e processamento de informações sensíveis.
Déficit crescente na balança de serviços de TI
O impacto dessa realidade é visível nos números da balança comercial de serviços de computação. O Brasil registrou déficit de R$ 44,2 bilhões no setor em 2022, quase nove vezes o valor de 2016, quando o saldo negativo era de R$ 5,3 bilhões. Isso reflete o volume de pagamentos ao exterior por serviços de TI e reforça a importância de políticas que incentivem a construção e operação de data centers em território brasileiro.
Perspectivas futuras
Ampliar o número de data centers no Brasil não só ajuda a reverter o déficit comercial como também contribui para a consolidação da soberania tecnológica do país. Especialistas apontam que, além de questões fiscais, é preciso avançar em políticas de incentivo à inovação e infraestrutura digital, garantindo competitividade nacional.
Para mais notícias sobre economia e tecnologia no Brasil, acesse brasilnow.world
:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2022/y/v/d1fhrOQSCvLxdABUCP2Q/381213265.jpg)


