O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países acusados de facilitar a evasão de tarifas de importação impostas à China. O relatório oficial divulgado nesta quinta-feira (13/08) aponta que mercadorias chinesas estariam sendo redirecionadas por países como o Brasil, prática conhecida como transbordo comercial, para escapar das tarifas aplicadas pelos norte-americanos.
Relatório da Casa Branca cita Brasil como intermediário
De acordo com o documento apresentado pelo assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, os EUA identificaram o Brasil entre os países classificados no "nível 2" de ligação com Pequim. Isso implica que o Brasil possui integração econômica significativa com cadeias de abastecimento ligadas à China, atuando como uma importante plataforma regional de produção e logística. Os países deste grupo, além do Brasil, incluem Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.
A prática reportada consiste em importar produtos chineses para posterior reembalagem ou montagem em território brasileiro, de modo a alterar artificialmente a origem declarada dos itens antes de reexportá-los aos EUA, burlando assim as tarifas.
Impacto para a economia dos Estados Unidos
Segundo o relatório, esse processo mascarou a quantidade de importações efetivas da China e continua representando riscos para empregos e para a arrecadação tributária americana, com estimativas de perdas que chegam a bilhões de dólares ao ano. Só em 2020, calcula-se que entre US$ 34,2 bilhões e US$ 303 bilhões em mercadorias foram redirecionadas internacionalmente dessa forma.
O assessor Peter Navarro destacou em entrevista que outros países também estariam sob observação, incluindo Índia e México. Ele afirmou ainda que novas cláusulas punitivas sobre a prática devem ser incorporadas em acordos promovidos pelo governo Trump.
Estratégias contra o transbordo e panorama global
Para conter o transbordo comercial, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) iniciou o uso de inteligência artificial em projetos-piloto, permitindo rastrear a origem real dos produtos e retroagir aplicações de tarifas, caso fraudes sejam identificadas. As medidas, porém, têm enfrentado questionamentos judiciais; recentemente, parte das tarifas foi derrubada pela Suprema Corte dos EUA.
A disputa tarifária entre Washington e Pequim já dura desde 2018 e lança efeitos sobre a cadeia global de suprimentos. A China, por sua vez, reitera a estabilidade estratégica de sua relação comercial com os EUA. No entanto, políticas de incentivo à exportação desestabilizam setores industriais em diversas regiões, incluindo Estados Unidos, Europa e Japão.
No acumulado de 2020, o déficit da balança comercial americana recuou US$ 189 bilhões em relação ao ano anterior, somando US$ 371 bilhões – o que demonstra que, mesmo com as tarifas, os EUA seguem importando mais do que exportam.
Próximos desdobramentos para Brasil e comércio exterior
Ainda não houve posicionamento público do governo brasileiro sobre a citação no relatório americano. A inclusão do Brasil pode impactar futuras negociações comerciais e exigirá atenção de autoridades e setores exportadores nacionais quanto ao monitoramento e à transparência na cadeia logística.
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