A Globe Investimentos, holding controlada pelos empresários Joesley e Wesley Batista, oficializou a compra da Avibras, reconhecida como a maior empresa privada de sistemas de defesa do Brasil. O acordo marca um novo capítulo para a companhia, que vinha enfrentando grave crise financeira e está em processo de recuperação judicial desde 2022.
Aquisição estratégica para a defesa nacional
A Avibras é considerada empresa essencial para a Defesa Nacional, fornecendo lançadores de mísseis, como o Astros II, já integrados ao arsenal do Exército Brasileiro. O Astros II é comparado internacionalmente ao sistema Himars, em uso nos conflitos da Ucrânia, e destaca a capacidade tecnológica nacional no segmento militar. A empresa também produz o MTC-300, míssil tático de cruzeiro de última geração.
Segundo nota oficial da Globe Investimentos, a aquisição visa dar suporte à recente retomada operacional da Avibras, garantir a manutenção de sua capacidade tecnológica e industrial, além de criar as bases necessárias para o crescimento sustentável em mercados nacionais e internacionais.
Crise financeira e recuperação judicial
A trajetória da Avibras nos últimos anos foi marcada por dificuldades. Em março de 2022, diante de uma dívida declarada de mais de R$ 600 milhões, a empresa protocolou pedido de recuperação judicial. Dois anos depois, o passivo superava R$ 640 milhões, sendo R$ 75 milhões referentes a salários e indenizações de funcionários não pagos. Os problemas financeiros levaram à interrupção de parte da produção, refletindo inclusive nas entregas ao setor de defesa nacional.
A crise atraiu olhares de grupos estrangeiros. Companhias de capital árabe, chinês e australiano chegaram a negociar a compra da Avibras, mas sem acordo final. Especialistas do setor de defesa avaliam que a aquisição por um grupo brasileiro é importante para garantir a soberania nacional e evitar influências externas em uma empresa estratégica ao país.
Retomada da produção e investimentos
A retomada das operações da Avibras tornou-se possível após recente aporte de R$ 300 milhões, realizado por empresários brasileiros, entre eles os irmãos Batista. Esses recursos foram essenciais para readequação da produção, manutenção de postos de trabalho e recuperação industrial da companhia.
Reconhecida pelo governo federal como Empresa Estratégica de Defesa (EED), a Avibras recebeu investimentos públicos nos últimos anos para impulsionar seu desenvolvimento tecnológico a serviço das Forças Armadas. Sua permanência sob controle de investidores nacionais é vista como fator positivo para a proteção de ativos e conhecimento estratégicos do Brasil.
Perspectivas e repercussão
A compra é vista por analistas e militares como um passo importante para a reestruturação do setor de defesa brasileiro, além de fortalecer a política de manutenção de ativos estratégicos sob comando nacional.
Novos desdobramentos deverão envolver a ampliação da atuação internacional da Avibras e a consolidação de sua capacidade produtiva, acompanhados de perto pelo governo e por entidades ligadas à área de defesa.
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