O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (14) que os juros cobrados no crédito no Brasil, inclusive por fintechs, são abusivos e "precisam ser tratados com urgência". As declarações foram dadas durante entrevista à Rádio Metrópole da Bahia, na qual Durigan destacou ainda o impacto das taxas de cartões de crédito sobre a população, classificando-as como "absurdas e abusivas".
Custo do crédito e jornadas longas em pauta
Durigan colocou o custo elevado do crédito nacional e as jornadas excessivas de trabalho no centro do debate econômico. Segundo ele, apesar dos avanços conquistados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como a retirada do Brasil do mapa da fome e a redução dos índices de pobreza, ainda existem desafios importantes. "O foco é não retroceder nas melhorias que alcançamos, mas a jornada de trabalho precisa ser discutida e o tema dos juros precisa ser enfrentado", ponderou.
O ministro citou também a criação de mais de 5 milhões de postos de trabalho formais durante a atual gestão, destacando que 85% dessas vagas foram ocupadas por beneficiários do Bolsa Família. Quando somados os empregos informais, o número chega a 10 milhões.
Fintechs e o desafio da regulação
O crescimento das fintechs no setor financeiro brasileiro trouxe inovação, mas também preocupações quanto ao custo dos serviços oferecidos. Durigan criticou a atuação dessas empresas, apontando que, mesmo com promessas de democratizar o acesso ao crédito, muitas praticam taxas consideradas abusivas pelos órgãos reguladores. Ele defendeu que o setor precisa passar por um maior nível de regulação para proteger o consumidor.
Mercado de apostas e combate ao crime
Durigan aproveitou a entrevista para se posicionar contra as chamadas "bets" (apostas online), acompanhando o entendimento do presidente Lula. "Precisamos encontrar um caminho rigoroso para regulamentar as apostas, sem incentivar o mercado ilegal", alertou. Para o ministro, o valor do trabalho deve ser priorizado no país, em detrimento dos ganhos fáceis proporcionados pelos jogos de azar. Ele também criticou a desregulamentação promovida em gestões anteriores, citando que o mercado ilegal de apostas alimenta dificuldades enfrentadas pelo país no combate ao crime organizado.
Próximos passos e expectativas
Ao chamar atenção para o peso dos juros cobrados no crédito, Durigan reforça a urgência da regulação tanto de fintechs quanto de outros segmentos financeiros. O debate pode ganhar mais força no Congresso Nacional, onde temas ligados à proteção do consumidor e inclusão financeira já avançam.
A discussão sobre a readequação das jornadas de trabalho também deve voltar à pauta nas próximas semanas, impulsionada pela preocupação do Ministério da Fazenda em garantir que avanços sociais recentes sejam preservados.
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